4 de abr de 2009

Mudei pro Wordpress!!!

É super legal, o wordpress, estou super empolgada com todas as opções, principalmente de colocar as coisas em categorias... facilita a procura e me dá a possibilidade de juntar coisas afins, assim como de postar sobre meus hobbies (aguardem... huá huá huá...) e coisas que eu não postava pra não atrapalhar o que eu acho mais importante, como a discussão crítica da mídia e assuntos políticos. Sem contar que tem procurador, tags, backtrack...

!!! ... !!!!!! (é muita empolgação junta)

Sem contar que o site é meu (meu, meu, meu, todo meu... huá huá huá) que é o "Algum Lugar da Net".

Então, o novo endereço é algodao.algumlugar.net

3 de abr de 2009

Fique Ligado!

Comissão aprova seminários sobre comunicação e LGBT

01/04/2009 |
Redação
Câmara dos Deputados

A Comissão de Legislação Participativa aprovou hoje a realização de um seminário preparatório à primeira Conferência Nacional de Comunicação. Marcado para 16 de abril, o seminário será promovido em conjunto com as comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Na mesma reunião, também foi aprovado por unanimidade o sexto Seminário LGBT, previsto para 14 de maio (...) o seminário deve fortalecer o debate em torno do respeito ao ser humano e do combate à xenofobia. O seminário pretende marcar o Dia Internacional contra a Homofobia, que se comemora no dia 17 de maio.


texto completo

1 de abr de 2009

Golpe da Mentira

Nest 1o de abril o Golpe Militar faz aniversário.

Leia no Conversa de Bar e no Imaginação Sociológica.

1o de Abril

O Dia da Mentira é levado a sério (ks ks) pelo mundo afora. Alguns dos mais recentes eventos.

A Associação de Turismo da Suíça põe no ar um vídeo da Associação Suiça dos Faxineiros das Montanhas e pede a participação de voluntários.

O Zoológico de Blank Park bota cartazes com telefones de emergência do zoológico. Os visitantes podem ligar para "Mr. Albert Ross," "Mr. C. Lyon," "Ms. Anna Conda," e "Mr. Don Key."

Ano passado o Google Australia botou um novo serviço no ar: o gDay. Ele realiza complicadas projeções usando lógica fuzzy e tudo mais para que você saiba o que vai estar no google amanhã. Saiba os resultados das partidas de futebol e tudo o mais que te der na telha.

Também no ano passado a BBC lançou o vídeo sobre os penguins voadores. A BBC tem tradição nisso. Uma das minhas piadas favoritas é a de 1957: uma matéria sobre a colheita de espagueti na Suíça.

Em 1992 a National Public Radio botou no ar um anúncio de que Nixon iria concorrer à presidência de novo. O novo slogan de Nixon seria "I didn't do anything wrong, and I won't do it again." (Eu não fiz nada de errado, e eu não vou fazer de novo). Vários ouvintes ligaram ao programa ultrajados.

31 de mar de 2009

Não Contente em dar muito dinheiro à Abril, Serra dá Muito Mais

Já é de conhecimento público que Serra tinha dado o nosso dinheiro para a b..sta da EDITORA ABRIL, tendo comprado uma multitude de assinaturas das revista para as escolas.

Agora ele pega e dá MUITO MAIS do nosso dinheiro para a mesma editora, pois comprou assinaturas para totos os professores das redes de ensino.

veja (ecate!) melhor, óia neste link

Fico sem palavras, nem pra fazer piada. è de sentar e chorar

28 de mar de 2009

Eu posso explicar: a fita é ilegal

Realmente, concordo com o Leitor da Nova Corja... Imagina se justo neste momento, o marido desta senhora (foto ao lado) chega e ela diz "Eu posso explicar: ele não é meu marido legal, então não vale"

Foi mais ou menos nessa direção a resposta de Yeda Cruzis em relação a uma fita com acusações a ela "É surreal, a gente ter de explicar uma fita conseguida de forma ilegal" foi a frase pérola da governadora.

Rovai vai na Mídia Independente :) e nóis na cola dele


Iuhúúú!!! Aê Renato!

Um dos meus e-mails solicitando informações sobre a Conferência foi pro lindo, maravilhoso, tudo de bom, Renato Rovai. Em sua resposta, muito simpática, fiquei avisada par ir esperando um post, que acabei de ver que saiu, e aprendi uma expressão nova, que vou adotar, por ser sua fã (abreijos - um cruzamento de abraços e beijos)

O post não é sobre o Comitê, mas pelo que entendi, o evento da Mídia Independente (será que les tem site?) pode ser considerado como uma boa prévia, e quem sabe, um canal de participação possível para quem está nesta cidade de Sampa (os eventos preparatórios não devem receber apoio do nosso prefeito, nem muito pelo contrário, do nosso governador, pelo que sei). O evento foi custeado pela Agência Carta Maior (brigada, Carta Maior, também sou sua fã).

Valeu, Renato, valeu todos os presentes, Valeu Carta Maior!
(ah, que legal ver o Sakamoto na lista, também gosto muito do Blog dele)

A História de Formação da Conferência Nacional de Comunicação até este momento, segundo a Intervozes

Com o intuito de rapar um pouco da história que leva à Conferência Nacional de Comunicação que ocorrerá neste ano do senhor de 2009 (em dezembro), fui ao site da ONG Intervozes - financiada pela Ford Foundation, e cujo site é muito interessante e contém inclusive o dowload de dois livros que parecem legais - e dei uma procura que me levou a um conjunto de postagens que vou resumir a seguir.

Como no Romance “Cien Años de Soledad” em que os nomes dos sobrinhos meio que repetem os nomes dos avós e o leitor precisa da arvore genealógica para poder seguir com a leitura, também os nomes envolvidos – Conferência Nacional dos Direitos Humanos, Encontro Nacional de Comunicação, Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação, Encontro Preparatório da Conferência Nacional de Comunicação e Conferência Nacional de Comunicação, devem ser pacientemente distinguidos pelo leitor. Perdoem os links desajeitados. Essa história mostra que também não foi fácil para os movimentos e ONGs chegar até aqui.


De acordo com a Intervozes, o processo começou a ser construído ainda em 2005, num seminário nacional sobre o direito humano à comunicação, realizado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). O movimento para realização de uma Conferência ganhou força em março de 2007, quando foi aprovado na Comissão um requerimento pedindo a sua realização.

Dia 13/06/2007 abriram-se as inscrições para o Encontro Nacional de Comunicação, organizado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e vários setores da sociedade civil organizada, movimentos sociais. O Encontro teve como objetivo apresentar ao governo federal uma proposta para a realização da Conferência Nacional de Comunicação.
“É fundamental defender que ela deve acontecer primeiro nos municípios e estados para culminar numa conferência nacional ampla e representativa, cujas deliberações sejam incorporadas às políticas públicas de comunicação. Em resumo, será o momento da sociedade civil organizada e dos movimentos sociais demarcarem a posição de que querem e vão participar da organização da Conferência e do novo marco regulatório das comunicações” O Encontro contou com 250 participantes de 24 estados.

Do Encontro sai um documento que rejeita a proposta do governo de que a Conferência fosse marcada já para agosto de 2007. “Pois inviabiliza a construção democrática e a organização de etapas prévias estaduais e regionais preparatórias que garantam a legitimidade da Conferência Nacional de Comunicações". Foi criada uma Comissão Pró-Conferência que iria trabalhar no adensamento da discussão junto à sociedade civil e sua organização.
“Os empresários são muito bem articulados. E estão pressionando para que o evento convocado pelo ministro Hélio Costa (PMDB) tenha o respaldo necessário para defender os interesses deles e esvaziar o processo da conferência que nós estamos buscando construir” (Bráulio Ribeiro, da coordenação do Coletivo Intervozes)


No Congresso, Erundina defendeu uma moção contrária à iniciativa do ministro da comunicações, Hélio Costa, junto àquela casa sobre a possibilidade de o encontro ser realizado em agosto . "Uma iniciativa tomada por um órgão do governo que tem pouca relação com atores da sociedade que militam na área é preocupante e pode atrapalhar muitos os processos democráticos", afirma Erundina.


Em setembro do mesmo ano, o Ministério das Comunicações, em parceria com as Comissões de Ciência, Tecnologia e Comunicação da Câmara e do Senado, optou pela realização de um seminário internacional, dando ao evento o título de Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, cuja legitimidade foi rejeitada pelo Movimento Pró-Conferência.

A Conferência Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), realizada em dezembro de 2008 com 1,2 mil delegados teve, entre as pautas, a exigência "que o Governo Federal se empenhe na realização da Conferência Nacional de Comunicação"

No Encontro Preparatório da Conferência Nacional de Comunicação, realizado no dia 02 de dezembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília, mais de 66 entidades e movimentos sociais, exigem publicação de decreto de convocação da Conferência pelo Governo Federal para 31 de dezembro. Abaixo assinado entregue ao Ministério das Comunicações reuniu mais de seis mil assinaturas. Ao final do Encontro, foi elaborado e aprovado um documento de resoluções com um calendário com realização das etapas municipais, regionais, estaduais e nacional. Para os internautas interessados, os eventos são abertos a participação e incluem a internet em suas pautas.

No dia 10 de fevereiro a Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação – formada por entidades da sociedade civil, representantes da Câmara dos Deputados e movimentos sociais – reuniu-se com o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, para apresentar contribuições ao Decreto Presidencial que convocaria oficialmente a conferência e à Portaria que instituiria sua comissão organizadora.

“Entre as propostas, também foi apresentada uma sugestão de composição da Comissão Organizadora da conferência. A comissão defende que ela seja formada por 30 membros. Destes, seriam 10 integrantes do poder público, sendo quatro do Executivo, quatro do Legislativo, um do Conselho Nacional de Justiça representando o Judiciário, além de um procurador do Ministério Público da União. Entre as vagas da sociedade, cinco seriam de associações de operadores comerciais do setor e 15 de organizações da sociedade civil não-empresarial".

Esta última cota contemplaria usuários dos serviços de comunicação, com direito à 5 vagas; organizações específicas da área (como profissionais, radiodifusores comunitários, associações e ONGs), com 7; entidades do campo público de comunicação, com 2, e a Academia (o que isso quer dizer?), com uma cadeira na comissão.”

No dia 18/02 iniciou-se a mobilização para a realização das etapas estaduais. Clicando aqui você poderá ver alguns dos governos estaduais que estão dando amparo ao movimento e alguns (como o governo de Yeda Crusius) que não estão.

Ainda não sei como as coisas estão aqui em São Paulo.

Sobre ‘Tropa de Elite’



Foi o Maurício começar a teclar e eu tirei minha metralhadora do armário.



Oi, Maurício

Adorei ler a sua análise. Mandou bem, véi (como dizem meus alunos mais jovens - ks ks)

Cinema Realista? Com certeza esse colunista não viu nem trailer de Cinema Realista. Deve ter ficado sabendo do fato de que houve um cinema realista pela exímia leitura da contra-capa de algum livro sobre o tema.

* * *
Agora, nem o cinema realista é chamado de ingênuo por um dos maiores estudiosos do tema, que é Sorlin, e de forma alguma o filme "tropa de Elite" pode ser chamado de ingênuo. Na minha opinião, a equipe que filmou, editou, escreveu o plot e dirigiu o filme é tudo menos ingênua. O Filme é assaz inteligente (para o mal). Não tive estômago para fazer uma análise mais densa das imagens, mas me lembro de algumas coisas que corroboram a minha afirmação:

1. O filme consegue despertar aquele espírito de classe média que quer poder andar pelas ruas e proceder com sua vidinha sem ser ameaçada pelo lumpen, mesmo que a paga disso seja a tortura do favelado pela polícia boazinha com saquinho de supermercado. (se aconteceu até comigo que sou classe média de esquerda, imaginem o que esse filme não desperta na classe média em geral. uma coisa que faço, a titulo de experimento, é me entregar ao filme sem críticas e sem reservas só para ver que sentimentos me desperta e o meu sentimento no fim do filme era totalmente a favor das torturas policiais. p.s: claro que essa não é minha posição de socióloga)

2. O filme constrói um grupo de personagens que se aproximariam de um estereótipo complexo que existe na nossa sociedade do defensor dos direitos humanos como "defensor dos direitos humanos do bandido" (creio que qualquer brasileiro já esteve exposto a este estereótipo). Para isso, ele constrói a imagem de um grupo de jovens que se drogam (e quando o filme bota a culpa pela existência do tráfico e toda a violência em torno dele nestes personagens, não está sendo nada ingênuo: está apontando o dedo para os defensores dos direitos humanos e dizendo ao expectador "é eles que você deve odiar. Eles são os culpados". É um j'accuse às avêssas.

Imagine só que a culpa por toda essa violência muito feia que te apavora, ó ser de classe média, é desses jovens irresponsáveis (também de classe média) que consomem drogas e são uns filhinhos de papai que não sabem de nada e que ficam por ai nas universidades, e por não terem o que fazer da vida ficam inventando essas conversas de direitos humanos. A mensagem pra classe média é mais ou menos essa "fique de olho no teu filho", além de "odeie esses jovens", sem contar com a mensagem "os defensores dos direitos humanos não passam de uns mauricinhos e patricinhas drogados". Ingênuo?

Vamos adentrar ainda mais esta ingenuidade e perguntar se a polícia - aquela que é construída como essa tropa de elite incorruptível - que aponta o dedo para esses personagens acima, além de apontar o dedo para o resto da polícia construída pelo filme como uma polícia totalmente corrupta (não estou negando que a polícia corrupta não exista e que ela não seja elemento importante nesse complexo, só quero chamar atenção para como essas imagens da polícia são construídas pelo filme). Lembremos da polícia federal, por exemplo, que até 2004 aparecia nos jornais fazendo grandes operações de combate ao narcotráfico, e que a partir de então começa a montar estas grandes operações contra a corrupção, como é o caso da satiagrarra e que está sendo alvo da mídia: ela não parou de combater o narcotráfico, que eu saiba - onde está esta polícia no filme? Não está? Que conveniente. Não creio que as pessoas que fizeram o filme são jovens o bastante para não saberem disso.

Agora vamos pensar de outra forma: as armas ilegais, bem como a grande quantidade de drogas que entram nos morros - vamos lembrar que lá nos morros não tem aeroporto, nem nenhuma conexão direta Farc-morro - queria perguntar isto: como é que tudo isso entra nos morros sem ninguém ficar sabendo? (o arsenal todo de armas e drogas é de toneladas, não dá pra esconder debaixo da jaqueta nem num fiat uno). Quem é que deixa entrar? O guardinha corrupto que recebe uns cem mangos no filme? O Estado? Desde 2002 há uma operação montada na cidade do Rio de Janeiro, chamada 'Pax Rio', que coloca inclusive um dirigível (isto não é roteiro de um sci-fi barato, se quiserem é só procurar pela operação “Olho no céu”) para patrulhar as favelas. ELES não sabem de nada? O sistema todo parece integrado a uma rede de computadores e captura de imagens.

Mas para além disto, junto às minhas, as palavras do professor Marcos Alvito " As favelas e áreas empobrecidas da nossa cidade serão submetidas a um duplo panoptismo. Vigiadas em terra pelos traficantes que impedem a livre movimentação dos moradores e controlam com mão de ferro as atividades comunitárias, destruindo o espaço de produção da cultura popular carioca, agora estarão também submetidas a um “Olho no céu”... Tais políticas, além de se constituírem numa perigosa escalada totalitária, reforçam a idéia de que o crime organizado esteja enraizado nas favelas, privilegiando a sua face mais visível e espetacular (as bocas de fumo e seus soldados pesadamente armados) e ocultando o crime enquanto um processo amplo que envolve redes mundiais de importação de drogas e armas, lavagem de dinheiro e corrupção em vários níveis (policiais, magistrados, políticos). Será o dirigível capaz de filmar a movimentação das contas numeradas ? Suas câmeras serão potentes o suficiente para registrar a desigualdade social, o desemprego e a falta de perspectivas que tornam os jovens moradores de favelas uma mão-de-obra descartável a ser empregada na ponta mais perigosa deste processo ? Os sensores instalados no ‘Pax Rio’ darão conta do processo de globalização que tudo transforma em mercadorias, dentre as quais a droga é a mais rentável ?” (texto completo aqui)

O filme Tropa de Elite" é muito astuto em construir estes dois culpados (os policiaizinhos que levam bola e os estudantinhos classe média que consomem e mantém o tráfico). Ele tira do foco os magistrados, políticos e coronéis de grande escalão que realmente estão levando um bolão e para quem essa aparência de que o ‘Pax Rio’ controla a favela é útil, ao tirar de foco eles mesmos.

3. A sociologia é atacada no filme, de forma lateral. Isso por que junta-se ao estereótipo do defensor dos direitos humanos, o estereótipo do que vem a ser o sociólogo. Segundo o estereótipo, o sociólogo seria um cara que fala muito, fala difícil, mas não sabe de nada. Para quem viu o filme, você deve se lembrar que os personagens estudantes são filmados na sua aula de “sociologia”, e no entanto, não são estudantes de um curso de sociologia – já não lembro, mas creio que são estudantes de direito (hum... direito... direitos humanos.... isso ainda não havia me ocorrido...). Os diálogos em que os personagens estudantes expõem a sua “sociologia” são pueris, quase infantis. Isso contribui para alavancar o estudante que é policial, membro da “tropa” a uma posição e fala que aparenta ser muito mais lúcida que as dos estudantes mauricinhos.

Por tudo isso, e se eu viesse a assistir o filme com a intenção de desmontá-lo, creio que poderia adicionar os elementos das imagens nesta análise (mas não creio ainda que tenho todo esse estômago), posso dizer que o filme é uma construção brilhantemente maquiavélica. Ele se utiliza de um dos saberes mais antigos da dominação. O saber que manda desde o Império Romano, dividir para dominar. No filme, todas as classes menores são divididas – os favelados, a polícia e a classe média – entre mocinhos e bandidos. É só botar uns contra os outros que eles esquecem que o problema tá nas classes acima de todos, o grande irmão que continua na invisibilidade segura.

Sobre a participação de independentes nos movimentos de partidos: uma reflexão para sem-ONGs no Comitê Nacional de Comunicação

O texto abaixo é em resposta à questão de um amigo acerca da participação no Comitê Nacional de Comunicação. Copio abaixo a teclada dele:

“Esse movimento, Flavia, precisa ser muito bem lapidado. Pois do contrário ele parecerá um movimento de esquerda, partidarizado -- ao invés de um movimento em prol do desenvolvimento de conquistas democráticas. Esse é o problema que eu vejo em expressões como "imprensa golpista" e coisas afins. O discurso precisa se elevar acima de questões estritamente partidárias e afirmar metas e objetivos democráticos”


Eu compreendo e compartilho da posição de que o discurso precisa se elevar acima de questões estritamente partidárias e afirmar metas e objetivos democráticos. Por isso mesmo creio que a participação de independentes – ou de cidadãos da sociedade desorganizada – como queiram chamar, é fundamental. No entanto, preciso advertir contra algumas armadilhas da idéia de despartidarização. Então peço que o leitor me acompanhe numa história pessoal, que é a história de uma independente no país dos partidos.

* * *


Uma coisa que aprendi com as minhas participações no movimento estudantil: sempre fui independente - o pessoal do PT articulação, PSTU, e até POR (partido operário revolucionário, com um representante no Brasil, pelo que conheço) tentaram que eu fizesse minha carteirinha. Eu consegui permanecer "sempre galadriel" e não peguei o anel. Mas eu não diria que esse era o anel do mal "para a todos dominar". É preciso ver que todos esses são mais outros atores do processo, e que essa é a forma que eles encontraram de participar.

Me lembro quando em - sei lá, acho que em 1995 ou 96, quem sabe tenha sido em 94, que foi ano de uma grande greve nas universidades - eu participei de um Congresso na USP - que era um congresso de CAs de todos os cantos do Brasil. Foi um frio do cão - dava pena de ver quem veio despreparado. Eu mesma nunca mais precisei das roupas com que me protegi naquele ano...

Bom, no Congresso eu via alguns "independentes perdidos", que são aqueles independentes ingênuos que o povo dos partidos “ataca” (há várias formas de ataque, incluindo mandar uma menina bonitinha do seu partido – se o seu partido não tem meninas bonitinhas, ta em desvantagem). Esses independentes iam nas reuniões e pediam que a discussão fosse despartidarizada. Mesmo eu, independente firmona no país dos partidos, fiquei com pena daqueles caras do CA de não lembro onde (na época era assim o independente tinha que fazer um esforço tremendo pra continuar a ser independente e ainda participar).

No ano passado (ou retrasado?), quando ocorreu a invasão da reitoria da USP (1) fui lá dar uma olhada e foi agradável perceber que havia um grande contingente de independentes convictos participando das discussões e re-afirmando seu lugar e direito como independentes, um verdadeiro - se assim se possa dizer - movimento dos independentes, que tinha até nome, mas já não me lembro qual, e que era o grupo mais forte do momento e super-engajados.

Como as coisas mudaram... nos idos do ano que se perdeu na minha memória, eu era uma das poucas “peixe de fora dentro d’água”... e os independentes perdidos – a maioria dos independentes - eram “peixe fora d’água" mesmo.

É difícil pro independente encontrar um lugar quando os movimentos são "dominados" por partidos, ou por organizações, como parece o caso do Comitê (se bem que isso eu ainda não sei – talvez eu só ainda não tenha ainda encontrado uma forma de participação que não envolva eu virar associada de uma das organizações). No entanto, não é impossível. A minha continuidade no movimento estudantil nos anos 90 (com alguns grandes e pequenos feitos, tanto pra direção certa quanto pra direção contrária) foi uma prova disso. A formação de um movimento de independentes nos anos 2000 - que não tinha qualquer palavra de ordem e assim mesmo fazia a influência muito coerente e a mais forte no movimento de estudantes que invadiu a reitoria - é o exemplo maior (que eu conheço) dessa possibilidade.

Voltando para os idos de noventaetanto, quem era eu: uma espécie de Tancredo Neves, que circulava entre os grupos, discutia, ruminava o que me era dito, falava com os caras e as minas do PT, POR (não muito: o cara era totalmente pela revolução agora dos operários, veja bem), PSTU, até com aquele povo que achava que Quércia ia organizar a revolução (esqueci também o nome deles – pra articulação do PT eles eram o demônio, pro PSTU eram no máximo, motivo de risada, ah, sim, o MR8).

É verdade que muitos dos partidos me olhavam de soslaio, meio desconfiados, outros me achavam inócua, outros tentavam se utilizar de uma “ingênua útil” (e quando eu concordava que as posições deles iam nas mesmas direções que as minhas eu deixava – quando não eram, não deixava, isso já rendeu críticas de um deles, como se eu fosse uma espécie de traidora, mas tudo bem, admito que não fiz isso sempre sem errar).

Ao mesmo tempo, a minha posição nunca foi tirada em consulta só comigo mesma: na época “eu era o CABIO” (última remanescente da chapa com quem entrei) e via como minha missão falar com os estudantes da Biologia-USP, o que eu fazia por vários meios: chamando reuniões, publicando jornaizinhos, pintando cartazes, parando no tempo livre pra falar com as panelinhas (2).

Da parte dos alunos eu sempre via essa mesma vontade: que a discussão fosse despartidarizada. A minha presença entre eles foi bastante agregadora, pois eles logo perceberam que eu não era de partido, e me deram seus ouvidos, começaram a participar, deram sujestões muito boas (outras nem tanto). Em alguns momentos o apoio que consegui para algumas coisas - como as eleições de RDs para os Conselhos da USP e a participação da Bio na greve em 94 (lembro que perdi um show do Tarancón pra ir a uma assembléia (hmf) – foi maior que qualquer outra antes registrada (para o movimento estudantil a Bio era algo inexistente até então). Houve bolas foras minhas, também da alunada (todos somos apenas humanos, demaziadamente). Assim como houve bolas fora dos vários participantes de partidos (lembre-se que eles também – apesar de parecerem ao independente como se fossem uns etês vindos para dominar a terra – são na verdade outros seres humanos tentando mudar o Brazil como podem e a partir do que sabem).

A questão da despartidarização é uma falsa questão. É falsa por que suas premissas são falsas. Como pode haver democracia sem dar voz às pessoas de partidos (ou das ONGs)? Não é humanamente possível botar uma venda na boca daqueles que gritam palavras de ordem ou barrar a participação dos que vem de agenda montada pelo partido (ou pela ONG).

A questão inversa - que não é possível participar sem partidos (ou ONGs) – que hoje já não tem lugar na USP, mas que era o contexto dos que estavam dentro do movimento estudantil nos anos 90 – é da mesma forma falsa: Como é possível garantir uma participação democrática sem dar voz aos independentes (ou aos sem-ONG)?


Somos todos – pessoas de partido, associados de ONGs e pessoas sem-associação – cidadãos. É necessário cultivarmos a tolerância e a habilidade de sermos capazes de ouvir, avaliar, ruminar e ainda por cima participar de maneira positiva.

Tenho grande fé nos independentes. Se por um lado às vezes ele não encontra meios de participar nos processos (e muitas vezes acaba optando por ficar à margem), e por outro a participação organizada é muito forte (e por isso mesmo necessária) em termos de conseguir as informações mais pertinentes – como onde intervir e por que meios, além de terem acumulado todo um quadro de em que pé as coisas se encontram neste momento, sem o qual qualquer ação é ingênua e sem eficácia, por outro lado a participação dos independentes, quando conseguem se organizar numa “não-organização” é fundamental (como é o exemplo do movimento dos independentes: não veio de uma ONG ou partido e não fundou nenhuma ONG nem partido: se formou naquele momento em torno apenas da questão e conseguiu realizar muito na sua “organização temporária e pontual”).

Por que a “organização temporária e pontual” dos independentes é importante? Por que só os independentes conseguem ter um ponto de vista que vai além das organizações. Não que as ONGs e partidos sejam míopes, mas é de se esperar que as pessoas envolvidas nas organizações acabem compartilhando um ponto de vista próprio desse ciclo de associados e de ações burocráticas em que estão envolvidos até o pescoço e que as vezes não os deixa ver para além disso.

Mas o independente não consegue nada de produtivo se não entra em contato com as organizações (que detêm informações relevantes) e se não se associa temporariamente a outros independentes (pois as ações de cada indivíduo, muito errática e por vezes fora do tom) acaba por se auto-anular, na maré das grandes ações.


Quanto à minha forma de participação nos comitês municipais e estaduais, que são preparatórios para o Comitê Nacional de Comunicação que acontecerá em dezembro deste ano, estou tendo a sensação de que as ONGs estão tendo um maior papel na não aceitação do independente que os partidos tiveram no movimento estudantil dos anos 90. Estou exausta de tanto mandar e-mails pedindo orientações de como participar, onde ir e com quem falar. As respostas ou não vem, ou são lacônicos e-mails com clippings dos textos postados nas páginas dessas ONGs (que no entanto, leio), ou me mandam o formulário de alistamento na ONG, ou o endereço de email que está na página deles – que é o e-mail de um fulano específico – retorna como “Undelivered Mail Returned to Sender”.

Ainda estou à busca de respostas, e se alguém quiser me ajudar, é bem vindo. Talvez eu ainda não tenha encontrado o canal certo, ou talvez ele ainda não exista, mas não vou deixar de procurá-lo ou tentar formá-lo. É possível que eu não consiga, e que minhas ações sejam vãs e se percam na maré dos grandes eventos. É possível que só na década de 2030 os independentes consigam organizar um movimento próprio para uma outra causa nobre qualquer.

Como os blogs participam disso?
Juntando as pessoas e ampliando as discussões. Usando as páginas da ONGs pra rapar informações para tentar degluti-las nos blogs. Mas também os blogs são um pequeno circuito de pessoas que tendem a fazer o que conhecem, da forma que conhecem, e reuniões de assembléia são coisas tão etês para a maioria dos blogueiros quanto as pessoas de partidos. Hoje, fazendo parte deste universo, concordo que é muito desconfortável que tudo não ocorra numa grande discussão do Twiter. Mas o que podemos fazer? Ficar à margem? Obviamente que se este “movimento” cair em ouvidos surdos e por demais acostumados a teclar, e se permanecer um movimento de uma blogueira só, é isso que vai ocorrer e tenho consciência do ridículo que aparentam as minhas últimas palavras. Mas eu me recuso em acreditar que qualquer atitude minha a respeito seja uma atitude vã. Quem sabe se ela não ajudará (mesmo que um pouquinho minúsculo) para que algo diferente aconteça em 2087?



Notas:

(1) É possível que essa história possaa ser desencavada no Blog da Ocupação. Deve haver alguma publicação assinada por um ou mais professores da USP a respeito, imagino, pois na época, professores de antropologia propuseram que a sua forma de participação fosse feita com uma pesquisa de participação observante, ao estilo dos antropólogos mais clássicos, e determinaram que essa fosse a pesquisa dos alunos em greve - dessa forma eles continuaram estudando e participando. No entanto, apesar dos antropólogos da pesquisa de imersão nas culturas serem do século passado, nunca antes houve uma proposta vinda dos professores para que tal pesquisa fosse realizada pelos alunos em greve, o que a meu ver é sinal que os professores pressentiram que havia algo muito diferente acontecendo naquele ano.

(2) (na minha época a Bio era todinha panelinhas, eu mesma perdi o apreço da minha panelinha no processo de sociabilizar com outras panelinhas, mas encontrei as pessoas mais tarde e ainda somos amigos. Nem sempre é possível manter as amizades nos momentos tensos, mas nem sempre é impossível reavê-las: outro ano mesmo encontrei no ônibus um cara com quem quase saí no braço (ou de fato saí no braço?) mais tarde quando fazia sociologia – a felicidade dele de me ver e minha de vê-lo foi instantânea, singela e radiante – houve um lindo sorrizo colgate entre nós. A minha explicação pra isso é de que eu, pra ele - e ele, pra mim - faz parte de um momento da nossa vida que foi importante e que apesar da briga, fomos muito mais relevantes um pro outro que muitos outros alunos que nem se comprometeram com a discussão (ou talvez a explicação é que ficamos retardados por um momento)

Pra Calar o Tibet, China BLOQUEIA o youtube


Chineses não podem mais acessar o youtube desde a última segunda-feira. O site foi bloqueado pelo governo chinês por causa de um vídeo divulgado na semana passada, que mostra cidadãos tibetanos sendo amarrados e agredidos por forças chinesas. Ver notícia aqui, ou no site do The Guardian (o vídeo está no youtube com acesso a usuários registrados aqui)

Do site do TimesOnline dá pra acessar o vídeo

Então Me Excomungue

Campanha coleta assinaturas em abaixo assinado que termina com a frase do título.

O Novo Chapéu do Papa


O Papa (não) surpreende a todos ao declarar, em visita à Africa que camisinha não é solução para a epidemia no continente.


A imagem é do cartunista Peter Brookes

26 de mar de 2009

Sobre programas de transferência de Renda

Você já ouviu estas frases antes?

"É só mandar eles trabalharem para poderem receber um salario bom"
- sério? é só isso?

"Ficar esperando esmola do governo via salario familia é degradante"
- pra quem?

"Esmola é esmola não importa o nome que queira se dar" junto com "Jesus já tinha dito, ‘quem dá aos pobres empresta a Deus”.
- Hein? vou juntar isso às minhas pérolas do pensamento



Mas, a sério, e mudando de assunto, vi um post interessante no blog do Nassif sobre um estudo de econometria acerca do Bolsa-Estudo. As autoras generalizam suas conclusões para programas de transferência de renda em geral: mais um argumento contra aqueles que acham que “não há mais cartões para distribuir ao andar de baixo”, ou que “o baú da transferência de renda se esvaziou".

"Os resultados do trabalho indicam que os gastos das famílias beneficiárias são destinados principalmente à melhoria da dieta das famílias (quantidade e diversificação) e conseqüentemente de suas crianças e à obtenção de itens relacionados à educação infantil, higiene e saúde. Tais resultados podem sugerir que programas de transferência de renda, como o caso do Bolsa-Família, que transfere um valor monetário superior, podem também ter efeitos de longo prazo uma vez que a melhoria do status nutricional, o incentivo à educação e os cuidados com a saúde irão permitir o acúmulo de capital humano destas crianças e, deste modo, permitirão a quebra do ciclo de pobreza destas famílias.”


Não querendo darmos de sabichões, mas isso a gente já suspeitava.

Nada a ver com a roubalheira no Detran, o sucateamento do Estado, a casa nova, a maquiagem contábil do "deficit zero",

as surras de cassete no funcionalismo, o "suicídio" do assessor em Brasília ou a arapongagem criminosa

O que Yeda tem é dificuldade de se comunicar com os eleitores.

(querido Cloaca, me perdoe o copião, mas é muita comédia dessa jornalista!)

A triste situação da Imprensa nestes dias, ou o que será que a mídia vai fazer com esse Abacaxi

O jornalista Luciano Martins Costa tem razão: com sete partidos da oposição ligados ao mais novo escândalo Camargo Corrêa, haja cimento e tijolo pra tampar o rombo. Estamos ansiosos para descobrir o que a grande mídia vai fazer com isso (como se não soubéssemos que em casa de pedreiro todo mundo tem areia)

25 de mar de 2009

Por Um Movimento de Blogueiros na Conferência Nacional de Comunicação que vem ai

Depois que comecei a ler a nova lei argentina de comunicação audio-visual me deu vontade de fazer algo, exigir que o mesmo seja feito por aqui e que englobasse inclusive uma carta de direitos à internet (o que considero uma resposta necessária ao projeto do Senador Azeredo, que pelo que aparenta, vai ser aprovado ainda pior). Tá, pode me falar "Terra chamando", mas sou daquelas que quando coloca uma coisa na cabeça... Então agradeço ao Idelberg pelo link para o Movimento Pró Conferência Nacional, chamada para este ano pelo governo federal, e que parece promissora: copio abaixo uma parte do texto do site:

Para ampliar sua força de mobilização, dessa vez contribuindo para a intervenção da sociedade nas etapas preparatórias municipais e nas Conferências Estaduais e Nacional, a Comissão Pró Conferência Nacional de Comunicação (CPC) convida as entidades com atuação nacional que ainda não fazem parte da articulação a se juntarem no trabalho de mobilização da CPC.

Tenho visto falar que o que está acontecendo na Argentina dificilmente ocorreria no Brasil. O que está acontecendo na Argentina é até difícil de ocorrer na Argentina, e é certo que não vai ocorrer facilmente no Brasil, mas difícil não é impossível.

Não acho que a mudança seja algo tão difícil de imaginar. Mesmo que ela ocorra a longo prazo. Todos esses anos de descalabros da mídia estão formando uma situação de inconformidade, de angústia que acho que vem se acumulando. O aumento do número de blogs críticos a esta situação e o aumento do interesse de leitores é uma demonstração desse fato na internet. A Folha, ao que parece, vem perdendo leitores (lembro de algum comentário a respeito na época do protesto contra a ditabranda). Se não me engano, pela resposta da Record à Globo dá pra ver que também a Globo vem perdendo audiência. Isso demonstra uma certa perda de poder dessas mídias.

Durante o protesto na frente da Folha muito se falou de direito de resposta nesse meio, e da sua anti-democracia (com o que concordo plenamente). No entanto, não acho que o direito de resposta é algo no qual devessemos investir muito esforço. Na verdade não acho que deveríamos investir esforço algum. O direito de resposta só serve pra essa mídia demonstrar que é "democrática", e todos sabemos que ela não é democrática porra nenhuma. Por outro lado, essa mesma mídia vem perdendo espaço e creio que é nisso que devemos investir: rádios, canais de tv e internet sustentadas por uma carta de direitos cidadã. Minha moral me diz que é mais honroso tentar e perder - e depois ter mais essa pra esfregar na cara dos que dizem ser a mídia democrática - do que ficar dizendo que é muito difícil remar contra a correnteza. Depois, uma derrota dessas é uma vitória: é algo que se registre na história das lutas pela liberdade de expressão.

De qualquer modo, a brecha está ai, e acho que as pessoas e movimentos comunitários vão fazer um esforço para aproveitá-la. Ao que tudo indica, o projeto do Azeredo vai ser aprovado a revelia de toda (ou parte de) uma blogosfera que não está gostando nada dessa conversa. Isso pode representar um impulso no nosso sentimento de ultraje. É preciso ampliar este debate e se juntar às comunidades que reinvindicam rádios e tevês. A ampliação do debate pode nos levar longe - pode nos levar à reinvindicação dos direitos humanos, como na lei argentina. Este espectro ronda a mídia: até quando ela conseguirá escapar dele? Mais produtivo gritarmos com Obama "yes, we can", mesmo que as vitórias não sejam totais.

Já correndo o risco de adentrar lirismo afora, gostaria de lembrar parte do discurso de Luther King

"In a sense we've come to our nation's capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir. This note was a promise that all men, yes, black men as well as white men, would be guaranteed the "unalienable Rights" of "Life, Liberty and the pursuit of Happiness." It is obvious today that America has defaulted on this promissory note, insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check, a check which has come back marked "insufficient funds". But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation. And so, we've come to cash this check, a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice."

Como ele e muitos cidadãos americanos, precisamos descontar o cheque dos direitos humanos, os direitos de expressão. Eu quero mais é que a "grande" mídia se dane. Ela não vai ser consertada. Nem deve. Ela deverá se enterrar na sua própria enterocefalia. Ela já está dando mostras de que está perdendo campo: todos esses discursos raivosos que ela publica e/ou bota no ar são o sintoma disso.

Nova Lei de Comunicação Audio Visual da Argentina mostra novos rumos que precisamos tomar no Brasil, inclusive acerca dos direitos na Internet

Está no Blog do Nassif a sugestão de que comecemos a discutir uma nova lei Audiovisual. Copio abaixo meu comentário.
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Comecei a ler a lei e uma coisa que me marcou foi a leitura da tabela, nas primeiras páginas, comparando a lei antiga e a proposta da nova. Uma mudança tremenda: a nova lei deverá se basear no tratado dos direitos humanos (a velha se baseia na segurança nacional) prevê concessões para tv e rádio comunitárias e de associações sem fins lucrativos (a lei antiga só prevê concessão para assoc. com fins lucrativos), coloca parâmetros de idoneidade, de obrigação de disponibilização de conteúdos relevantes para informação dos cidadões, prevê controle pelo congresso e por orgão (a ser criado) cujos representantes serão eleitos, prevê contrapartidas sociais com relação a impostos, cinema nacional e conteúdos educativos.. enfim, uma legislação democrática e cidadã.

Creio ser necessário a organização aqui no Brasil, das comunidades - a organização em torno de blogues de discussão é um bom início - com o intuito de enviar pedido aos nossos representantes no gov. federal, senado e congresso, de estudo dessa lei e elaboração de um projeto democrático e cidadão também para o Brasil, e que vá além das concessões televisivas e radiofônicas e proponha uma carta de direitos para os usuários da internet com base no mesmo tratado dos direitos humanos, como resposta necessária aos projetos restritivos, como o do projeto do Senador Azeredo

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seguindo os links do Blog do Nassif, você poderá se registrar no fórum de discussões, e se quizer ver o projeto diretamente, clique aqui para o PDF.

A entrevista de Mendes à Folha nesta terça


Mais ligado que luz em época de Natal, Idelber manda bem nos posts que escreve lá dos states, avisando a turma da entrevista com Gilmar Mendes no teatro da Folha. Foi um bom lugar, realmente, para fazer isso... um teatro. Como era de se esperar, o que se desenrrolou foi a apresentação de uma antiga peça do mesmo. Mas uma coisa me deixou feliz: foi a forma como o grande ator foi ovacionado: estava nos comentários ao mesmo post:
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FASCISTA! NAZISTA!!!

Os gritos para Gilmar Mendes no Teatro Folha, registrado na TV UOL.

FASISTA! NAZISTA!!!

Aline em março 24, 2009 1:37 PM



pra quem tem estômago de avestruz - entrevista na íntegra
eu mesma ainda não me animei